Wednesday, February 10, 2021

Macrolatin@s em Açao

Un ano novo, un ano de novas histórias e projetos para compartilhar. Estamos muito gratos com Juliana França e seu orientador Marcos Callisto do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Minas Gerais - Brasil, os cuais desejam compartilhar com vocês parte da experiência que eles han vivenciado com o biomonitoreo aquático participativo e lá ciência ciudadana. É muito belo olhar como eles também  lograram a atenção de grandes e pequenos no conhecimento e conservação de nossos ecossistemas aquáticos. E nossos prezados macroinvertebrados aquáticos são os protagonistas destas parcerias, como muitos pequen@s estão apaixonados deles e fizeram seus primeiros passos na Ciência. Aguardamos que esta publicação seja o início para muitos projetos mais onde continuemos esta bonita labor de construir Ciência com a Sociedade. 

Desfruta a leitura por agora em português, ou pelo menos faz o esforço de compreender. Isto também é um caminho de inclusão e os outros idiomas em que divulgamos o que fazemos. 

¡Ficamos muito gratos con Juliana e Marcos!

Águas urbanas no Brasil: engajamento da educação básica através da ciência cidadã

Juliana França 1, Fernanda Montebrune 2 & Marcos Callisto 3

1 Universidade Vila Velha, Lab. Ecologia de Insetos Aquáticos, Vila Velha / Instituto Nacional da Mata Atlântica, Santa Teresa, ES, Brasil - jsfranca@yahoo.com.br,monitoramento-participativo.webnode.com
2 Biocentro Gerdau Germinar
3 Universidade Federal de Minas Gerais, ICB, Depto. GEE, Lab. Ecologia de Bentos, Belo Horizonte, MG, Brasil – callistom@ufmg.br, lebufmg.wixsite.com/bentos


A agenda 2030 da ONU estabelece como meta o acesso à água de qualidade e saneamento básico até o ano de 2030, o que será um grande desafio para vários países na América do Sul. O Brasil é um país com dimensões continentais, com enorme desigualdade de acesso a recursos hídricos e desenvolvimento humano. Algumas megacidades na região sudeste do país têm mais de 7.000 hab/km², ao passo em que várias cidades na região Norte apresentam índices menores do que 10 hab/km², representando uma diferença na densidade populacional de c. 700 vezes entre as regiões. Também no acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgotos domésticos, na região Norte, <60% da população com acesso à rede de água, apenas 10,5% tem o esgoto coletado e 21,7% o esgoto é tratado. Em um cenário de enormes diferenças entre os acessos da população à água tratada e saneamento, a região mais desenvolvida do país e com melhor acesso a estes serviços sofre com a má gestão de águas urbanas. O despejo inadequado de esgotos industriais e domésticos, especialmente pela falta de fiscalização do poder público, e pela presença de grandes centros urbanos (>5 Milhões de habitantes) são a realidade brasileira.


Nós estamos inseridos na área mais populosa do país e com mais acesso ao saneamento básico, a região sudeste (91% da população com acesso à rede de água, 79,2% tem o esgoto coletado e 50,1% o esgoto é tratado1). Nosso município, Belo Horizonte/MG, abrange 6 Milhões de habitantes em sua região metropolitana e traz para sua bacia hidrográfica um conjunto de influências negativas relacionadas à sua crescente e desordenada densidade populacional. Na expectativa de apoiar o acesso a informações científicas sobre as águas nessa região, nós realizamos, através de uma parceria entre a universidade e o setor produtivo, um monitoramento participativo de ecossistemas aquáticos urbanos com professores e estudantes da educação básica. Nossa expectativa seria de que os cidadãos em formação, representados por estudantes de 9 a 18 anos, construíssem uma relação mais participativa com os gestores políticos e ambientais de sua região e no compromisso com as políticas públicas para a manutenção dos serviços ecossistêmicos oferecidos pelos rios urbanos. Para isso nossa pesquisa foi conduzida em uma abrangência de 4000 km2 sob intensa influência humana, inserida em uma bacia hidrográfica de importante representatividade em nosso país: o rio São Francisco. Avaliações e monitoramento de rios urbanos foram conduzidos por grupos de professores e estudantes, em 46 ecossistemas aquáticos, distribuídos em 12 municípios de nosso estado. Os ecossistemas avaliados pela educação básica apresentavam características de influência diferenciadas com base na densidade populacional nas microbacias, sendo 10 deles em áreas urbanas protegidas (parques); 9 em municípios com menos de 100 hab/km2; 16 em municípios entre 100 e 400 hab/km2 e; 11 em municípios com mais de 800 hab/km2.

 

Pesquisadores, professores e estudantes da educação básica realizam avaliações ecológicas de ecossistemas aquáticos através de atividades práticas em campo e laboratório.
 

Nossa metodologia é aplicada através de índices de avaliação de habitats físicos (índice local), uso da terra (índice regional), classificação de águas com base na legislação ambiental brasileira (qualidade física e química) e um índice biológico de invertebrados bentônicos bioindicadores (França & Callisto, 2019). A metodologia foi consistente quando validada por métodos científicos rigorosos (França et al., 2019). O índice local foi calculado através da aplicação de um protocolo de caracterização de hábitats que se baseava em três métricas principais: (i) estabilidade das margens; (ii) hábitats no leito e (iii) impactos humanos, divididos em 10 parâmetros a serem observados em um trecho do rio. Para o índice regional baseamos em imagens de satélite disponíveis no Google Earth delimitando as influências de impactos com a urbanização, agricultura e/ou pastagem em uma área à montante de 1km2 na bacia de drenagem. A qualidade física e química das águas foi avaliada através da utilização de um conjunto colorimétrico e os valores mensurados foram comparados com valores recomendados pela legislação brasileira para oxigênio dissolvido, pH, fósforo e nitrogênio totais e, turbidez. Por fim, nós calculamos um índice biológico de bioindicadores bentônicos considerando um gradiente de sensibilidade de grupos de organismos, ao nível de ordem e filo e, sua riqueza.


O índice biológico considera a riqueza e um gradiente de sensibilidade dos organismos bentônicos onde ordens consideradas sensíveis à alterações ambientais (Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera) recebem pontuação maior; ordens tolerantes (Coleoptera, Megaloptera, Hemiptera e Odonata) recebem pontuação média e; filos/ordens resistentes (Mollusca, Annelida e Diptera) recebem pontuação baixa.

 

Organismos encontrados en el Córrego Goiabeiras - Congonhas/MG

 

As avaliações realizadas revelaram degradação dos habitats físicos, qualidade de coluna água e comunidade de bioindicadores bentônicos em 91,3% dos 46 ecossistemas aquáticos avaliados por professores e estudantes da educação básica. Isso significa que apenas quatro dos rios urbanos avaliados estavam em boas condições ambientais, representando o importante impacto sofrido por influência urbana nos rios de nossa região.


Nossa perspectiva é que um maior conhecimento sobre os estressores e respostas biológicas nos ecossistemas aquáticos de sua região possam aumentar a participação dos cidadãos no desenvolvimento e implementação de políticas públicas. Nosso monitoramento participativo de águas urbanas apresentou viabilidade no aprimoramento da educação científica, o que pode aumentar a participação social e, consequentemente, os serviços ecossistêmicos fornecidos por cursos d'água urbanos no Brasil. Essas ações apresentam uma importante forma de engajamento da população na busca por melhores condições de saneamento básico tornando uma perspectiva de melhora nos acessos à água de qualidade, destino adequados e tratamento de esgotos em nosso país.


O potencial científico do monitoramento participativo apresenta-se como uma alternativa para promover uma maior conscientização da comunidade na proposição de ações de mitigação e reabilitação, bem como na manutenção dos serviços ecossistêmicos prestados pelos cursos d'água urbanos aperfeiçoando o planejamento futuro de nossas bacias de drenagem.


Referências:

França, J.S.; Solar, R.; Hughes, R.M; Callisto, M. 2019. Student monitoring of the ecological quality of neotropical urban streams Ambio. 48 (8): 867– 878. DOI: 10.1007/s13280-018-1122-z.

França, J.S.; Callisto, M. 2019. Monitoramento participativo de rios urbanos por estudantes cientistas. 1a edição. Belo Horizonte: Juliana Silva França. 284p. DOI: 10.17648/ufmg-monitoramento2019.


1 comment:

  1. Obrigada Jeymmy e Macrolatin@s! Um belo trabalho está aqui realizado por vocês. Honrada de poder participar e contribuir um pouco com nossa experiência.

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